E sem nunca ter sequer de sorrir ou fazer contacto visual. Uma ode viva ao poder de citações certas (Nietzsche, Huxley, etc.) e de umas calças de cabedal, Morrison não só recriou a imagem do artista torturado e sensível para o rock dos anos 60, como o vendeu, reciclou e tornou a vender até os quilos extra já não lho permitirem. A morte acabou por lhe conceder a fama que sempre acreditou merecer (com ajuda póstuma de Oliver Stone, em 91). E se até 71 todos os álbuns incluem pelo menos uma boa canção, os Doors nunca soaram melhor do que neste primeiro LP. Entre “Break On Through (To The Other Side)” e os mais de 10 minutos de “The End”, está a plena identificação simultânea com os desejos mais naturais e perversos do seu público. Um vocalista capaz do blues mais poético e da psicose mais atroz, o órgão de Ray Manzarek a evocar uma missa satânica e a guitarra de Robby Krieger a fazer de olho do furacão, enquanto os temas subiam até uma pulsação reminiscente de um transe xamânico, do qual não se vê – ou não se quer ver – saída. Do pé-de-vento de “Light My Fire” ao encanto nocturno de “Crystal Ship”, o grupo inclui ainda a versão de “Back Door Man”, de Willie Dixon, e relembra que nada disto é para ser levado muito a sério com a interpretação de “Alabama Song”, de Bertold Brecht e Kurt Weill.
Fulltrack
TrueTone
Polifónico
Imagens
Vídeos
Para comentar este álbum é preciso registar-se primeiro.
Não existem comentários. Sê o primeiro a deixar um comentário.