Mas se os Beach Boys caíam desamparados no vazio sem o seu líder, os Pink Floyd fariam da queda o seu novo lar. E entre uma pausa para estudar a ausência de gravidade nos mais de 10 minutos de “A Saucerful Of Secrets”, o encontrar de um canto para cada um em Ummagumma e a desorientação nublada de Atom Heart Mother, começaram a traçar um rigoroso mapa sobre as estrelas – em Meddle – que obrigaria o mundo a repensar a sua posição. E foi Roger Waters o seu principal artífice. Claro que saber que odiava o adjectivo “espacial” só complicava as coisas. Porque se há metáfora que à sua banda se colava era a da nave em exploração galáctica. E não vinha agora falar de um ser que de um observatório lunar acompanha a folia da vida humana? Nada disso. Num dos mais chocantes, cruéis e perversamente aceites manifestos sobre a sociedade de consumo do pós-guerra, deixava cair o pano revelando que estava já tudo nas nossas cabeças e, como as cores no histórico prisma concebido pela genial Hipgnosis,
nos entrava diariamente pelos olhos. Ódio, materialismo, velhice, ganância, violência, loucura, censura – tudo com efeitos sonoros (relógios, campainhas, moedas, calculadoras, gritos, conversas, o bater do coração) numa cacofónica histeria que funcionou como um acordar colectivo. Esteve mais de 700 semanas no top da Billboard. Só quem olhou para dentro viu o lado oculto da lua. Syd Barrett sorriu.
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