A história dos Pearl Jam é aquilo que acontece quando a imprensa musical inventa primeiro um movimento e só depois vai à procura das bandas para o justificar. Arrastados para a ribalta do grunge com o sucesso dos Nirvana (tal como Soundgarden ou Alice In Chains), os Pearl Jam estavam, ironicamente, muito pouco preparados para o que lhes foi imposto. Em parte porque estavam juntos há pouco mais de um ano. Stone Gossard e Jeff Ament formaram os Mother Love Bone em 87, uma banda de funk-rock cujo vocalista, inspirado em partes iguais por Steve Tyler e Freddie Mercury, estava, esse sim, mais do que pronto para conquistar o mundo. Mas com a morte de Andrew Wood, andaram à deriva até se cruzarem com Mike McCready e com novo vocalista. Em Eddie Vedder, encontraram tudo o que Wood não era: um cantor introspectivo, articulado, grave no tom e nas temáticas. Num ano em que segurança e à-vontade eram tudo o que não se queria ao microfone, Vedder conquistou uns com credenciais possivelmente herdadas de Neil Young, Robert Plant e do Jim Morrison mais taciturno, e outros com a vulnerabilidade emocional de um género que fez muito pelo reformar dos valores messiânicos do rock. Tudo sem nunca olhar ninguém directamente nos olhos. Com “Alive”, “Even Flow” ou “Jeremy”, relembraram-se princípios fundamentais da música popular e as guitarras fora dos tops perderam a vergonha de si próprias. Se é um truísmo que aqueles que mais procuram a fama são os menos equipados para viver com ela, outros nem tiveram tempo para decidir. Ten vendeu mais de 12 milhões de exemplares.
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São os MAIORES!!!!