Apenas folk estava fora de questão. Só que quem ouve Sweet Child não leva muito tempo a perceber que está nas imediações de um novo mundo acústico entre o folclore britânico, o blues e o jazz – como na altura faziam Joe Harriott ou Tony Scott com a música do Oriente – que a cada passo se torna mais envolvente, dinâmico e com tendência a transfigurar o seu tempo. Com um
baterista tão discreto (e por isso mesmo crucial para o som do grupo) quanto Terry Cox, um dos maiores contrabaixistas ingleses (Danny Thompson) e dois guitarristas e compositores idiossincráticos e influentes – como Bert Jansch e John Renbourn –, os Pentangle foram para a música no Reino Unido o equivalente ao supergrupo americano – esse sim, folk-rock – Crosby, Stills & Nash. E com a voz de Jacqui McShee a erguer-se cristalina sobre ondas de som e deambulações por instrumentos como o banjo e o sitar, estavam a expandir um paradigma que, com Fairport Convention e Incredible String Band, haveria de influenciar gerações. Sweet Child foi um duplo LP, combinando sessões de estúdio com um concerto no Royal Albert Hall, em que se aventuram em surpreendentes versões de Charles Mingus. É o ponto alto numa discografia que, ao abraçar um repertório inteiramente tradicional em 70, recebeu em troca um bocejo colectivo. A ironia.
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