Os Saint Etienne conseguiram um estrelato efémero ao reciclar melodias pop comuns ao que pelos anos 60 fizeram Small Faces, Kinks, Beatles ou Who, num contexto que, comparando com o que se passava com Everything But The Girl ou Massive Attack, caminhava a passos largos para a hegemonia da musica electrónica. Não era propriamente um truque novo, nem, como os Deee-Lite haviam demonstrado na década anterior, receita para grande longevidade, ainda que Sarah Cracknell tivesse uma sofisticação rara noutros grupos, com um tom mais France Gall do que Gloria Gaynor. Os Saint Etienne, como os Combustible Edison ou Pizzicato Five, foram uma banda de uma ideia só, mas So Tough não vale apenas pela vocalista – ao contrário de uns Cardigans – e sim pela efectiva concretização, por Pete Wiggs e Bob Stanley, de um som evocador de magos de estúdio como Phil Spector ou Burt Bacharach. Sonhador e etéreo nos arranjos, não chega a ser um Camino Del Sol ou La Varieté para a década de 90, mas possui equivalente intenção melódica e riqueza rítmica para subsistir ao tratamento irónico de tendências mais populares. Chegou demasiado cedo para aproveitar o britpop e demasiado tarde para os restos do acid-house. De qualquer forma, So Tough seria sempre demasiado bem-educado para manter amizades com os rapazes de rua de Manchester. Cracknell é a companhia indicada para domingos em que apeteça fingir que se é um inglês expatriado em Paris observando desinteressadamente – excepto pelas gabardinas e boinas – as manobras do Maio de 68. Além disso, o álbum tem das melhores capas faux-sixties de sempre.
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