Ora com Steve Wynn, Victoria Williams, Juliana Hatfield, Rainer Ptacek e Lisa Germano, ora apenas com Joey Burns e John Convertino, Gelb criou uma gestão de portas giratórias para os seus projectos até ao ponto em que o que se estranhava verdadeiramente era não vir creditado alguém como John Parish, Scout Niblett, Evan Dando, Vic Chesnutt, PJ Harvey, M. Ward, Neko Case ou Richard Buckner nos seus discos – o que, diga-se de passagem, também acabou por acontecer apenas no meditativo e mingusiano Lull Some Piano. Quando fez 50 anos, trocou momentaneamente os ares do deserto (vive em Tucson, no Arizona) e, no bem mais rigoroso Ottawa, com o coro Voices Of Praise, produziu uma comunhão que, mal comparando, faz os Polyphonic Spree parecerem titubeantes e se afigura mais redentora do que mil concertos em igrejas dos excelsos Arcade Fire. Com a determinação de Lou Reed, a vulnerabilidade errante de Townes Van Zandt, a reincidente esperança de Neil Young, a resistência de Bob Dylan e uma distinta capacidade de subverter dogmas e manobrar por entre as linhas dos géneros mais alegóricos dos EUA, Gelb tornou-se o epítome do escritor de canções contemporâneo. Entre o country e o soul, só Ray Charles havia antes feito tão bem.
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