Com Bee Gees, Donna Summer, Village People e Chic nos tops, e com a explosão da cultural juvenil mais desviante concretizada no punk, o lugar de singer-songwriter introspectivo estava vazio. E para quem continuava a gastar o vinil de Joni Mitchell, Judee Sill ou Carole King, o primeiro álbum de Rickie Lee Jones foi mais que bem-vindo. A tempo de proveitar os últimos espasmos do ambiente hippie californiano, Jones havia chegado a Los Angeles ainda adolescente. Pela ronda dos clubes nocturnos, conheceu Tom Waits, e dessa relação – e do ambiente vivido no famoso Tropicana Motel, por onde tinham já passado Jim Morrison, Fred Neil, Van Morrison ou Janis Joplin, onde vivia ainda Sam Sheppard e por onde paravam os Ramones e Blondie quando visitavam L.A. –, veio alguma da inspiração para o álbum (e da ruptura, o tema para Pirates). Enquanto do colaborador Chuck E. Weiss chegou a ideia para o single que pôs Jones no mapa: “Chuck E.’s In Love”. Em Rickie Lee Jones ente-se um impulso e uma necessidade de exploração que têm tudo a ver com a infância. A cantora tinha, desde muito cedo, o hábito de desaparecer e partir à boleia – em busca das “little fluffy clouds” que nos depois haviam de inspirar os Orb – e, como que conduzida por uma curiosa criança sempre constipada, a sua estreia passa pelo jazz, folk, rock e r&b como se fossem brinquedos que se leva à boca. O Grammy para Best New Artist confirmou-lhe as credenciais, mas Jones manteve-se num caminho que novamente este ano provou não depender de mais ninguém.
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