Contando com a participação de cerca de 20 músicos (de que se destacam Kristin Hersch, Chris Eckman ou Jess Klein), este conjunto de narrativas de paixão, amor eterno, fé, pecado e redenção, representa na perfeição o espírito literário e sombrio do country de câmara a que há dez anos se dedicam os Willard Grant Conspiracy, e veio relembrar que as grandes canções do presente devem estar permeáveis aos fantasmas e ao indizível que aí habitam. Um pouco como em Mark Lanegan, Nick Cave ou David Eugene Edwards, é de expiação que aqui se trata, e da forma de aceitar o inadiável. E como numa elegante versão pastoral dos Tindersticks de meados dos anos 90 (sem se transformar numa derivação de Tim Hardin), Fisher conduz as suas baladas como exéquias, enquanto noutros momentos anda perto do álbum mais enraizado na tradição que Frank Black está há alguns anos a tentar fazer. E como em Neil Young, Bob Dylan, Townes Van Zandt ou David Thomas, consegue tornar o tempo só seu de cada vez que canta.
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