Ao longo de três anos, tornaram-se conhecidos de toda a comunidade hippie – e podia contar-se com a banda para a mais variada gama de aparições, de comícios a concertos para angariação de fundos. Mas, ocupados como estavam a aperfeiçoar o visual cowboy, perderam a boleia para a fama que vinha com os contratos discográficos. Quando, finalmente, a Capitol (também visivelmente atrasada) chegou à cidade à procura do ouro, convencendo-os a ir para estúdio, já os Jefferson Airplane tinham conquistado o país e chegado à Europa. E, no Verão do Amor, já muitos espirravam de tanto pólen no ar. Talvez lhes fizesse falta um líder de punho de ferro ou ambição sedenta de sangue, mas Dino Valenti, que deveria assumir o papel, estava na penitenciária. Assim, o navio ficou entregue às mãos do guitarrista John Cipollina. Tanto melhor – afinal, tinha sido ele que, estudando o mapa astral dos membros da banda, reconheceu comum ascendência em Mercúrio, mensageiro de Júpiter na mitologia romana. Com o baptismo, vieram prateados duelos de guitarra com Gary Duncan (como em “Gold And Silver” e “The Fool”, com mais de 10 minutos), que em concerto duravam umas horas, e todo o tipo de dilatação e diluição de tempos. A estreia, apesar de bem mais concisa, é um importante testemunho do acid rock. Nem todos o apreciaram, mas Crosby, Stills & Nash estavam atentos.
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