Ou melhor: soam em partes ao que poderia ser uma versão da famosa Antologia por Captain Beefheart. Alinhada com a segunda linha de grupos de Chicago – HiM, Orso, Joan Of Arc, Frontier, Loftus, etc. –, a banda de Tim Rutili encontrou aqui renovado instinto, energia e liberdade suficientes para empregar rabecas, bandolins e banjos na construção de um universo sonoro que coloca a um canto as reflexões de um Brian Eno, por exemplo, sobre sistemas regeneradores. Na frase com que na altura apresentavam o álbum, “we approach everything like a melodic instrument – from a can of coke to a chicken bone”, continua a ler-se um manifesto particularmente humanista e a detectar-se um gosto pelo imprevisto e pela justaposição de elementos nem sempre conciliáveis. Metaforicamente houve quem chamasse de “country electroacústico” o que aqui se ouvia, e é certo que momentos mais texturais no disco parecem querer controlar o seu natural fluxo melódico, como aquelas páginas num livro de Stephen King em que mal se nota a realidade a derrapar. Mas o resto é a insondável faculdade dos que conseguem ouvir como se fosse pela primeira vez trovas que andam por aí há pelo menos 1000 anos.
Fulltrack
TrueTone
Polifónico
Imagens
Vídeos
Para comentar este álbum é preciso registar-se primeiro.
Não existem comentários. Sê o primeiro a deixar um comentário.