Para muitos, os Def Leppard terão muito em comum com o filme de 83 Jaws 3-D – mais uma paródia do que um testemunho de vanguarda tecnológica. Mas Pyromania não deixará por isso de ser um álbum importante, de alguma forma iniciando aquilo que os Bon Jovi viriam terminar. Com a influência do rock britânico dos anos 70 a adicionar-lhe veia glam, não é de espantar que não fossem bem recebidos num meio onde reinavam AC/DC, Iron Maiden e Motörhead. Ironicamente, com Pyromania, e mais precisamente com o single “Photograph” a receber a atenção da MTV, o grupo passou não só à frente da nova onda de heavy metal inglesa como comprometeu o reinado de Michael Jackson, destronando do top “Beat It”. O produtor Robert “Mutt” Lange fez com Pyromania o que tinha feito em Back In Black e Highway To Hell, e pôs Joe Elliott e companhia no mapa. As guitarras são poderosas sem serem abrasivas e nas melodias há vários concorrentes a hino de estádio: é escolher, por exemplo, entre “Rock of Ages” e “Foolin’”. As letras são o que se espera e há espaço para os clichés do costume, até para o epitáfio preferido dos músicos de rock: “It’s better to burn out, and to fade away,” Candidatos ideais para o truísmo de que, quanto mais alto for o voo, maior será a queda, os Def Leppard não se autodestruíram como os Guns’N’Roses nem transitaram para o rock ligeiro como os Aerosmith – embora pisassem o risco logo no álbum a seguir. Viveram no purgatório musical, mas demonstram aqui uma vivacidade que demoraram 20 anos a recuperar.
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