Mustang Cor De Sangue, de 69, trazia para primeiro plano a crítica social e a denúncia da sociedade de consumo, mas esteticamente separava-se do folclore e abria os braços ao pop dos Beatles, ao soul, a Bacharach e Quincy Jones. Contribui para o tropicalismo como um não-alinhado. Em 70 grava álbum homónimo e começa uma transição – é o único capaz de cantar uma frase como “A verdade pode estar na caspa e não no xampu” num tema para uma telenovela. Um ano depois, com Garra, aparece finalmente despido de constrangimentos políticos e abraça o black rio de Toni Tornado ou Wilson Simonal, cantando “Black Is Beautiful”. Vento Sul, de 72, é o seu Araçá Azul (o álbum de Caetano Veloso editado na mesma altura), e um corte radical com o passado – sugerem ambos um Brian Wilson tornado eremita no litoral brasileiro. Previsão Do Tempo é o regresso à vida e a definição máxima de um estilo pessoal que até hoje não largou. Leve e profundo, critica com humor – na altura confundiram o seu hino ao futebol “Flamengo Até Morrer” com um elogio ao governo quando era tudo menos isso –, relembra Torquato Neto, espraia-se nos mil e um teclados dos Azymuth como um Stevie Wonder possuído, celebra a síncope de João Donato e antecipa o que – ao lado de Leon Ware e os Chicago – faria já com um pé nos anos 80.
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