Para se ser iconográfico, é necessário em primeiro lugar não se parecer com mais ninguém.
Chrissie Hynde encaixa ainda hoje na definição, com uma das franjas mais famosas do mundo
(recuperada pela indústria da moda nos últimos anos e revivalistas do punk como Karen O), e não será por acaso que tem sido descrita como um Mick Jagger no feminino. Ambos andróginos,
Jagger fazia de conta que era americano e Hynde voou do Ohio para Londres, via Nova Iorque, para se juntar à revolução. O primeiro álbum dos Pretenders é no entanto mais do que a soma das suas partes, incluindo a mesma nervosa electricidade dos Velvet Underground, economia e
acessibilidade dos Ramones, renovação dos princípios do rock’n’roll como nos Rolling Stones e uma ponta de irreverência próxima dos Clash. Em James Honeyman-Scott tinham um guitarrista mais inventivo e tecnicamente capaz do que a maioria da bandas punk (cuja rimeira paixão tinham sido os expansivos Cream ou Allman Brothers), e em Hynde não só alguém com transbordante carisma e sensualidade – pronta a reclamar para si um papel tradicionalmente masculino – como ainda uma prolífica e complexa compositora que para sempre haveria de ditar o neurótico tom da banda. Desde o primeiro single que garantiram a atenção do público e da crítica (o tempo de Hynde enquanto jornalista no NME pode ter ajudado) e The Pretenders chegou a número um do top britânico. Com “Brass in Pocket”, “Tattoed Love Boys” ou “Precious” chegava ainda uma independência tipicamente americana.
Madonna era uma das raparigas à escuta.
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