Está em anúncios e séries na TV e, só em anos recentes, nas banda sonoras dos encontros e desencontros amorosos de Sandra Bullock e Keanu Reeves em Lake House, de Zach Braff e Natalie Portman em Garden State, de John Cusack e Kate Beckinsale em Serendipity e de Gwyneth Paltrow e Luke Wilson em Royal Tenenbaums. Pelo meio saíram duas biografias. Tudo porque, em três álbuns, sugeriu a mais depurada e cristalina versão daquilo que, por um lado, Joe Boyd produzia para Fairport Convention, Incredible String Band e Shirley Collins, e o que, por outro, Bert Jansch gravava nas paragens dos Pentangle. Depois do folk sorumbático da estreia – abençoado por John & Beverly Martyn – e do barroquismo de Bryter Layter – auxiliado por Robert Kirby e John Cale –, Pink Moon revelou-se o ponto de equilíbrio na sua escrita. Gravado numa nocturna sessão de duas horas, é um solitário testamento. E em 28 minutos consegue concentrar uma vida
inteira de confissões. É de uma coerência iluminada, como monólogos de Shakespeare em que, embora diferentes, os motivos se repetem, e, apesar de tudo mudar, se volta sempre ao mesmo. Espartano e melancólico, concentra uma nublada visão do mundo que combina o mais terreno de Van Morrison e idealista de Roy Harper. Morreu a 25 de Novembro de 74. Arrisca-se a destronar João Gilberto como o mais famoso canto manso da História.
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