Mas, como que a anunciar uma nova década em que as aspirações do movimento hippie se tornariam pouco mais que risíveis, não tem pretenses de mudar o mundo. Parte manifesto anti- Guerra do Vietname, parte viagem de ficção científica e de terror ao lado mais negro da mente humana (com a ajuda de um ou outro alucinogénio, naturalmente), deixou a crítica e a rádio largamente indiferentes. Mesmo assim, conquistou milhares de fãs. O som pesado e sem grandes subtilezas e a voz quase sem modulação de Ozzy Osbourne não tinham nada que pudesse agradar aos apreciadores da inovação e eclectismo do rock progressivo, e menos ainda aos ainda numerosos adeptos do mais melodioso country -rock. Para mais, Paranoid revelava uma alarmante intransigência: nem uma balada. Mas a guitarra de Tony Iommi falava directamente ao grande grupo de jovens que, entre o continuar de hostilidades no Sudoeste Asiático e a vinda a público de histórias como a do massacre de My Lai, só podiam sentir paranóia, raiva e desprezo pelas promessas sociais da década anterior. Se é verdade que em “War Pig”, “Paranoid” ou “Iron Man” não se encontra loquacidade (“He was turned to steel in the great magnetic field”, de Iron Man, é um exemplo), também isso conquistou discípulos. O mundo dos Sabbath podia ser assustador, mas não deixava de ser um bem-vindo escape à realidade. E só o monólito do 2001 havia causado maior comoção.
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