Que o embrulho não engane ninguém – os Blondie eram uma banda pop. Associados ao punk e no wave, os Blondie fizeram apenas o que as melhores bandas pop sempre souberam fazer: recolher das novas tendências o que melhor se adaptava ao seu repertório e deixar de lado tudo o resto. Em Parallel Lines há punk, new wave e disco sound, mas acima de tudo existem daquelas canções capazes de fazer inveja a Phil Spector. À boa maneira da tradição da música popular, o sucesso dos singles “Picture This” e “Hanging On The Telephone” – e muito especialmente de “Heart of Glass”, que subiu ao primeiro lugar das tabelas de vendas nos EUA e Reino Unido – acabou por causar problemas dentro do grupo. Se todos os membros participavam na composição, as objectivas e microfones acabaram quase sempre apontados à cantora, Debbie Harry, deixando Chris Stein, Frank Infante e Nigel Harrisson tão amuados quanto os No Doubt no vídeo de “Don’t Speak”. A produção de Mike Chapman e o amadurecimento do grupo, que ao terceiro álbum tinha a sua mecânica aperfeiçoada ao máximo, acabaram por conseguir o Grammy para melhor álbum rock, escapando em definitivo a qualquer conotação com a vanguarda estética nova-iorquina. Tal como um single dos Beach Boys, Ronettes ou Crystals, alguns dos seus temas permanecerão actuais e impressionantes em qualquer década. Quanto a Debbie Harry, a sua influência é incalculável: cabeças platinadas, de Madonna a Gwen Stefani, aprenderam muito com a ex-coelhinha da Playboy.
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