Over-Nite Sensation quase cumpriu o que o título prometia, levando-o ao top e tornando-o mais acessível. Para isso contribuiu a redução do tempo das canções para um idioma pop. Foi um brilhante ardil. Mestre de todos os géneros, Zappa parece ainda ter andado de olho na cultura negra. E revela-se inspirado pelas manobras de Sly And The Family Stone e Funkadelic ou pelos filmes blaxploitation. Mas é inegável que Over-Nite Sensation tem alguma da sua música originalmente mais conseguida – e é um aconselhado ponto de entrada num universo que promove mais tangentes do que as suportadas por esta colecção. Claro que a natureza explícita de “Camarillo Brillo”, “Dirty Love”, “Montana” e “Dinah-Moe-Hummm” incomodou muita gente. Mas como tudo, há que o ver à luz do seu tempo. Um ano depois de Deep Throat, o lançamento do igualmente popular The Devil In Miss Jones fez de “libertação sexual” a expressão do ano e Zappa aproveitou o balanço como se estivesse em início de carreira. Sempre carregado da habitual ironia de quem canta: “I may be vile and pernicious but you can’t look away. I make you think I’m delicious with the stuff that I say”. Não foi o maior artista do século, mas foi um dos artistas do século. Howard Stern devia pagar-lhe direitos de autor sempre que abre a boca.
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