É aqui que começa: entre “Roxanne”, “So Lonely” e “Can’t Stand Losing You”. Sucesso planetário num tango sobre uma prostituta e dois temas
reggae sobre a solidão e o suicídio. Isto vindo de um trio com experiência no rock progressivo e no jazz. Bons tempos. O homem que inventou o
“celebrity activism” – numa altura em que ainda custava a perceber o sotaque irlandês de Bono – e que mais tarde se converteu ao r&b para a
meia-idade, à bossa nova, ao world beat e aos anúncios televisivos, pode não ser um bom exemplo para quem desejar envelhecer com dignidade,
mas lá que sabia escrever canções ninguém duvida. À boleia da caravana punk e new wave, os Police tocavam no CBGBs quando iam a Nova Iorque e partilhavam a inspiração da música jamaicana com os Clash ou as Slits – ainda que parte deste cenário não fizesse muito sentido. O que souberam fazer como poucos foi reinventar a pop de três minutos em temas de inquestionável pulsação moderna, refrões im possíveis de tirar da cabeça, ganchos de perder a respiração e versos entre o irónico, o inteligente e o filosófico, que não alienavam os mais obtusos nem eram inanes de mais para quem apanhasse as referências. E como não lhes perdoar mais tarde um “De Do Do Do, De Da Da Da” à luz do “Ob-La-Di, Ob-La-Da” dos Beatles? Entre o hermetismo dos Steely Dan e a curiosidade global de uns Talking Heads, os Police eram ainda uma espécie de Blondie do reggae branco, com Sting a fazer de Debbie Harry. Mas música popular com este grau de arrojo e inovação não chega todos os
dias. A reunião deste ano relembrá-lo-á.
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