A voz de Ian McCulloch é semelhante à de Julian Cope – e não será inútil relembrar que estiveram juntos nos The Crucial Three. Mas foi depois de se separarem que cada um à sua maneira traçou um caminho para o pós-punk britânico. Enquanto Cope seguiu pela estrada dos tijolos amarelos, McCulloch formou os Bunnymen, mas até no nome sugere o tipo de críptico psicadelismo entre Doors e Velvet Undergound que conseguiria popularizar. Em três álbuns, produziram um retrato dos europeus melancólicos sempre vestidos de negro, com astúcia melódica, vigorosa secção rítmica e sentencioso domínio de uma realidade que paralelamente parecia descrever uma espécie de livro sagrado sobre a nova re ligião dos adolescentes: há quem descubra Deus, McCulloch ajudou a descobrir a Depressão. E mesmo com letras como “You think you’re a vegetable, you never como out of the fridge”, se há coisa que Ocean Rain não permite facilmente é sorrir. Depois tornou-se impossível, mesmo no Sul da Europa, convencer algumas pessoas a vestir um fato de banho e “The pleasure of pain endured” tornou-se um credo. Os Echo & The Bunnymen foram das primeiras bandas a tentar fingir que o punk não tinha acontecido, e as centenas de imitadores europeus e norte-americanos que apareceram a querer duplicar Ocean Rain são prova de que anteciparam a cultura juvenil e urbana emergente. Prova disso, mais tarde, entre o álbum que se seguiu (com “The Game” ou “Lips Like Sugar”) e a versão de “People Are Strange” para a banda sonora de Lost Boys, já não pareciam alternativa a nada.
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