A capa travestida podia ser o tipo de dissensão que os clubes
de Nova Iorque privilegiavam no final dos anos 70, mas Richard Hell, Tom Verlaine e Patti Smith ainda andavam todos noutras paragens. E a crítica pode ter saudado o proto-r&b selvagem deste primeiro LP dos Dolls, mas o público teve medo de o levar à caixa da discoteca do bairro. Pela mão de Todd Rundgren, New York Dolls eram Johnny Thunders, Syl Sylvan e Jerry Nolan com uma camada extra de verniz na produção e muitos teclados à disposição. A voz de David Johansen continua áspera como um Chuck Berry esgotado depois de demasiadas aparições em público (e uns maços de tabaco em cima) e só ocasionalmente se deixa descair para o registo menos original de Mick Jagger. Na maior parte do tempo está a delinear o que Strummer e Rotten seguiriam mais tarde – e o que o conduziria a Malcolm McLaren. “Personality Crisis” e “Looking For A Kiss” ficaram clássicos do repertório dos Dolls, mas, do rockabilly de “Trash” ao frenesim quase psicadélico de “Frankestein” e “JetBoy”, há muito para assegurar o lugar do álbum como um dos mais originais do seu tempo. Com um som que anuncia o punk ao mesmo tempo que recicla a década de 50, os Dolls eram glam apenas no aspecto: estavam mais próximos de estilizar em absoluto o desespero do blues e daquele primevo e visceral ritmo acelerado de um rock’n’roll que nunca correria perigo de deixar de o ser. Morrissey aprendeu aqui muito da pose.
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