O mais expansivo psicadelismo, o menos virtuoso rock progressivo, o espírito do mais tortuoso jazz eléctrico e a imanência física de um pulsar universal reconhecido na matricial dependência rítmica, ganharam asas no mais comunal e aberto dos Amon Düül de “Phallus Dei”, no funk maquinal de Liebezeit e Czukay dos Can de “Yoo Doo Right”, na fúria industrial dos Faust, na apocalíptica implosão espacial dos Cluster, no mais marcial de Neumeier nos Guru Guru de “UFO” e no mais tribal de Gottsching eSchulze nos Ash Ra Tempel. E se muitos destes ingredientes serviriam negras acelerações na década de 80, alimentaram parte significativa dos mais pendulares desvios dos anos 90. Em Neu!, até o grafismo pop art pressagia o que viria envolvido na new wave e pós-punk. Tudo é aqui perfeitamente concluído por Michael Rother e Klaus Dinger. Saindo dos Kraftwerk, presos por um então menos aventureiro Florian Schneider (que lhes havia de tirar o chapéu em Autobanh), revisitam o rock’n’roll apenas como um elíptico mundo sonoro de distorção instrumental. Com Conny Plank em estúdio, criam o equivalente a uma tela de expressionismo abstracto de Hans Hofmann: em que a ausência de figuras não torna a obra menos hipnótica ou exuberante, e em que o essencial nasce da eliminação do acessório. O krautrock parecia simples.
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