A melodia do tema já estava criada, mas a letra associou-o para sempre ao episódio em que, num concerto de Frank Zappa, o
Casino de Montreux ardeu por culpa de “some stupid with a flare gun”. Os Deep Purple ficaram aborrecidos e era compreensível: as gravações de Machine Head estavam agendadas para aí começar no dia seguinte. Agora, só se via o fumo sobre o lago Geneva. Enquanto a América ficava introspectiva, a Grã-Bretanha explorava todos os atalhos do rock, do progressivo ao heavy metal. Haverá sempre quem defenda que o género nasceu neste sexto e mais pesado álbum dos Deep
Purple, enquanto outros se ficarão por Black Sabbath ou Led Zeppelin, mas nem vale a pena: a voz de Ian Gillan e a guitarra de Richie Blackmore deixam a questão redundante e as percentagens de domínio para os puristas. Entre a má trip de Osbourne e os medievalismos de Plant e Page, Machine Head está mais próximo de um arquétipo rock que não se perde em ideologias nem em universos imaginários: aqui temos carros e raparigas, desejo e corações partidos, e basta. Se “We had a lot of luck on venus, we always had a ball on mars, meeting all the groovy people, we’ve rocked the Milky Way so far” parece ingénuo, é porque é. Mas Machine Head não precisa de impressionar pelas letras. Era a prova de que o heavy metal já estava no Espaço.
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