Vinham embalados pelo sucesso de “Blue Monday”, e por momentos vislumbrou-se um mundo dominado pelos New Order. Mas nem os seus mais fiéis seguidores estavam preparados para o golpe de rins necessário quando, menos de dez anos mais tarde, qualquer esperança de um comentário original sobre cultura juvenil vindo de Bernard Summer e companhia se evaporou nas escaldantes areias de Venice Beach, na gravação do vídeo de “Regret” por entre o elenco de Baywatch. E talvez por isso não sejam hoje das primeiras bandas em que se pensa quando se recorda a pop dos anos 80. Mas por alguma razão, no ano seguinte a Low-Life, terá saído um filme que utilizava na banda sonora mais temas dos New Order do que de qualquer outro grupo. Um chuvoso retrato de final de adolescência em tons cinza? Nada disso: Pretty in Pink, de John Hughes, demonstrou que a inovação no terreno da pop electrónica, que havia de voltar a encher armazéns em Manchester e arredores, tinha já ganho um lugar entre os blazers e óculos escuros Ray-Ban dos jovens californianos, ainda que continuasse a ser uma alternativa para agradar a quem nunca alinhou com os New Romantics. Erguidos das cinzas dos Joy Division, os New Order tentaram um número conseguido por poucos grupos durante a história da música pop: continuar caminho depois do desaparecimento do seu mais carismático e criativamente importante membro. Que não tivessem desaparecido
– como os Doors – é já admirável. Mas terem-se adiantado à febre rave e indie rock de início dos anos 90 é um feito que só agora se aprecia em todo o seu alcance.
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