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Kala

503
Artista
Editora
Popstock
Ano de Lançamento
2007
Optimus Aprovado?
-

Era provável que, depois do impacto de Arular, M.I.A. passasse com alguma rapidez à prateleira dos artistas que marcaram uma temporada para depois se diluírem num mar de redundâncias e equívocos. Isto é: Arular, disco onde hip-hop, electro,
dance-hall, grime e baile-funk se acotovelam em canções espantosamente pegadiças, era um disco notável. A amálgama de ruído urbano e ecos do Sri Lanka, onde Mathangi Arulpragasam cresceu, logrou causar nos ouvintes um importante efeito contraditório: se por um lado Arular soava inesperado, quase inédito, por outro fazia todo o sentido. Como um mutante à espera de se erguer a qualquer momento das ruas de uma grande metrópole, em pleno século XXI. Dois anos se passaram sobre a estreia altamente
politizada de M.I.A. Onde Arular era uma homenagem assumida ao pai, um activista dos Tigres de Tamil, que reclamam a independência daquela etnia, Kala é um tributo de Mathangi à mãe. A feminilidade desta tigresa é, porém, mais feroz do que terna; basta escutar o primeiro tema do álbum, «Bamboo Banga», para perceber que M.I.A. voltou, como ela própria lembra repetidas vezes, «with power power». Tão importante como os samples, que desta vez vão dos Clash («Straight To Hell», na fabulosa «Paper Planes»)
aos Pixies («Where Is My Mind» em «20 Dollar»), são as palavras que M.I.A. debita, num registo fresco e insolente a que pode chamar verdadeiramente seu. «A maior parte do tempo sou só eu a rezingar; acho que me inspirei no Mark E. Smith», contou à LITZ
em Paredes de Coura, antes da primeira actuação em Portugal. «Aquilo é a versão da M.I.A. do que é uma canção: juntar uma data de coisas. E se deixares que aquilo entre na tua cabeça, vai resultar». Há liberdade a rodos na música de M.I.A. Mas há também, e ela é a primeira a admiti-lo, um manifesto. primeiro ponto desse documento, nas suas próprias palavras: «alargar as fronteiras, visuais ou sonoras».
Segunda alínea de Kala: «apresentar a fealdade à cultura americana». Realce-se que, recentemente, Mathangi trocou Londres por Nova Iorque. «Para um americano, dizeres a palavra “RUANDA!” é o sufi ciente. Não acredito em juntar palavras só para fazer versos», jura. M.I.A. é ainda sinónimo de diversão, como prova «Jimmy», hit de Bollywood que decidiu gravar em jeito de resposta à editora, que lhe exigiu um single
certeiro. Quanto a ter-se tornado, pelo posicionamento étnico e estético, um ícone da pop contemporânea, Mathangi lava as mãos: «em 2007, o que é que interessa ser uma estrela pop? Não sei se isso vai fazer de mim uma grande mulher. Só quero continuar
ligada ao chão, às pessoas, à rua».

  • 1 - Bamboo Banga
  • 2 - BirdFlu
  • 3 - Boyz
  • 4 - Jimmy
  • 5 - Hussel [ft. Afrikan Boy]
  • 6 - Mango Pickle Down River [ft. the Wilcannia Mob]
  • 7 - 20 Dollar
  • 8 - World Town
  • 9 - The Turn
  • 10 - XR2
  • 11 - Paper Planes
  • 12 - Come Around [ft. Timbaland]
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