O mea culpa da crítica já está feito em relação aos The Sound: eram tão inovadores e originais quanto os Teardrop Explodes, Echo & The Bunnymen ou os Joy Division e mereciam o mesmo tipo de destaque nesses anos em que parece ter deixado de existir cor no pop inglês. Mas, tal como aconteceu a dezenas de outras bandas nos dois lados do Atlântico, a História não foi capaz de consagrar mais do que um punhado de nomes, e a justiça, como é hábito em eras de confusão estética, retribui-se irregular e retroactivamente. Vertiginosamente orbulhante, com avanços e recuos rítmicos capazes de sustentar em si mesmo leituras narrativas invulgares para o seu tempo, soam a uns Pere Ubu dedicados a explorar atmosferas em vez dos rudimentos da sua arte. Agora, claro está, é tarde e impossível de vislumbrar os caminhos que Adrian Borland (que se suicidou em 99) podia ter percorrido com o grupo. A história já passou e arquivou definitivamente os The Sound, como os Comsat Angels ou os primeiros Associates, como injustiçados do pós-punk. Felizmente, Jeopardy está disponível para quem gosta de tirar as suas próprias conclusões. Três anos depois do que tinha gravado com os Outsiders, Adrian Borland viu a revolução nos últimos dias. E, quem pôde, seguiu para outras paragens. Com títulos como “I Can´t Escape Myself”, “Hour of Need” e “Words Fail Me”, é fácil ver que a sua lírica estava inclinada para o lado mais melancólico e sombrio da adolescência. Sem chegar a cabeça de cartaz estava, também ele, a garantir um cantinho em que se haveria de fechar década fora.
Fulltrack
TrueTone
Polifónico
Imagens
Vídeos
Para comentar este álbum é preciso registar-se primeiro.
Não existem comentários. Sê o primeiro a deixar um comentário.