Metade índia metade irlandesa, Dalton passou pela música da época – alterando profundamente todos os que consigo tiveram contacto directo – sem nunca chegar ao grande público. Receosa do palco, e mais ainda do estúdio, era daquelas raras cantoras que diziam preferir tocar apenas para os amigos sem que isso correspondesse a uma pose elitista. Raramente compunha – preferia interpretar canções do cancioneiro folclórico, do jazz ou blues, que mesmo quando não eram antigas assumiam na sua voz telúrica o som de um tempo longínquo. It’s So Hard… (cuja gravação dependeu de Dalton acreditar que as bobines ficariam para a colecção particular do produtor, Nick Venet) inclui temas de cúmplices como Fred Neil e Tim Hardin, e de Jelly Roll Morton, Big Bill Bronzy, Elmore James, Leadbelly ou Major Wiley. A comparação para a voz de Dalton é sempre a de Billie Holiday – aliás, os amigos Holy Modal Rounders chamavam-lhe Hillbilly Holiday. Mas Dalton é o equivalente musical de terra debaixo das unhas, pele gretada pelo sol, cascos de cavalo na planície seca. Evoca uma América pioneira, mas não a das flores, passarinhos e bebés de Mitchell e Baez – aqui ouve-se a fome, o desgosto e a procura incessante de uma vida melhor. Faleceu, esquecida, em 93.
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