Afinal, parte do som dos Holy Modal Rounders foi canalizado graças a anfetaminas e LSD. À volta de duas das personagens mais enigmáticas e intoxicantes (e intoxicadas) da cena folk de Nova Iorque, Peter Stampfel e Steve Weber, os Holy Modal Rounders assumiram vários alinhamentos. E entre o primeiro LP, de 64, e este juntaram-se aos Fugs – para aqui se reunirem novamente, com Sam Shepard (o argumentista) na bateria. Stampfel diz nas notas do disco que os seus principais interesses são a magia e a distorção, mas isso não chega para descrever o impulso cósmico de Indian War Whoop – é preciso adicionar-lhe palavras como solstício, horóscopo, incenso, hippie, Inca, Vietname, Spector, sintetizador, McCartney (todas retiradas do texto de
Stampfel) e juntar-lhe “Electric Seagull” (um instrumento inventado por Weber) ou lua cheia, para se aproximar do vórtice de ideias musicais do álbum. Cinco temas tradicionais recebem aqui uma transformação digna de um alquimista sem perderem nenhuma da energia residual, e os
restantes são fornecidos por Stampfel e Weber, a sua musa Antonia e pelo brilhante Michael Hurley. Em 69 estariam a acompanhar as aventuras de Peter Fonda e Dennis Hopper em Easy Rider. Em 96, Stampfel confessou numa entrevista que o LP é “a piece of shit”. Está enganado.
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