E ninguém melhor que Will Oldham (Bonnie “Prince” Billy, Palace, etc.) para o justificar. Como poucos (depois de Steve Wynn, Vic Chesnutt ou até Howe Gelb), capaz de voltar a personificar o tempo em que as encruzilhadas estéticas da música country reflectiam necessariamente dilemas morais, Oldham deixou de rumar para onde o Sol se põe e enfrentou os demónios que se escondem nas sombras. A caminho, lidando com quase todos os temas do Unforgiven de Clint Eastwood, por exemplo, criou uma espécie de tenebrosa liturgia para um momento histórico perversa e inesperadamente vazio de respostas. Nada que as tendências mais góticas da escrita de canções norte-americana não venham ciclicamente tentar resolver. Mas o álbum contém igual número de mensagens de esperança e redenção, e tem em frases como “Today was another day full of dread, but I never said I was afraid; dread and fear should not be confused; by dread I´m inspired, by fear I´m amused”, a prova de que o carácter mais reprimido e ansioso do texto essencial da geração partilhada com David Berman, Chan Marshall ou Bill Callahan havia sido por Oldham convertido já num eloquente e astuto palimpsesto.
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