De tanto varrer a música norte-americana para Oeste, acabou por lembrar valores que a necessidade de expansão de outro tipo de fronteiras havia enterrado. E dos Byrds aos Grateful Dead, dos Nitty Gritty Dirt Band aos Stone Poneys, dos Hearts and Flowers aos Gentle Soul, dezenas de bandas celebrariam raízes musicais que nem sabiam ter. Mas houve também quem quisesse chamar o seu a seu dono, e aproveitar para lembrar que, apesar de tudo, entre a ficção e a realidade havia bem mais que o andar gingado dos
cowboys. As raízes dos CCR encontram-se no r&b enérgico de Little Richard, no rockabilly de Jerry Lee Lewis e, apesar de virem da Califórnia, no swamp-blues do Estado do Louisiana e nos ritmos dos crioulos cajun e zydeco. Em simultâneo, de “Wrote A Song For Everyone” a “Run Through The Jungle” (no álbum seguinte), nunca deixaram de criticar a recruta obrigatória e a irracionalidade do conflito no Vietname. Dois segundos lugares no top de singles americanos e um número um no britânico (com “Bad Moon Rising”) consagraram-nos. Viveram da imaginação de um Sul mágico permeado de sinais divinatórios, magias branca e negra e estradas escuras, e por um rock que não precisa de parar para pôr gasoline – a voz áspera de John Fogerty (e do irmão Tom) são o oposto das harmonias vocais então em voga. E nada aqui é subtil ou discreto. Foram um antídoto para o mais sedado nos singer-songwriters. E só por isso justificam um laço de sangue com os Allman Brothers ou Lynyrd Skynyrd.
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