Com todas as direcções em aberto e tendo como faróis as luzes da inovação nas carreiras dos Beatles e Bob Dylan, Tim Buckley conta aqui com a colaboração do amigo de infância e poeta Larry Beckett – com quem tinha tocado antes nos Bohemians – e a produção de Jerry Yester. O álbum surge como uma série de interrogações: da colagem com sons de bombas no tema pacifista “No Man Can Find The War”, ao ambiente de feira popular barroca em “Carnival Song” ou às emanações orientais de “Hallucinations”. A sua voz parece aspirar mais ao teatral do psicadelismo do que ao intimismo do folk. Em “Goodbye and Hello” não anda longe de Scott Walker e em “I Never Asked To Be Your Mountain” reclama independência. O tema é uma mensagem à mulher e ao filho, Jeff Buckley, mas não será forçado ouvi-lo como uma recusa de restringir a sua criatividade a interesses comerciais. Foi o que aconteceu com os álbuns seguintes, com a ajuda de Frank Zappa, em que à toada romântica e ingénua – ainda que de inegável permanência melódica – acrescentou dinâmicas retiradas ao jazz moderno, pisando o risco da aceitação popular. Mas foi uma canção desse período – “Song To The Siren” – que o recuperou para o início de uma década (80) a que, tal como Tim Hardin, já não assistiu. O filho fez o resto.
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