Aos 17 anos, Neneh Cherry encarnou o papel para o qual sabia ter nascido. Chegada à capital
britânica no início da adolescência, a sua escola fez-se na companhia das Slits, Pop Group e demais bandas dos pós-punk. E seria aí que encontraria recrutas interessados em, efinitivamente, expandir o leque de influências da música do seu tempo. Olhando em retrospectiva, uma banda com este alinhamento (Sean Oliver no baixo, Mark Springer ao piano e teclados, Gareth Sager na guitarra e saxofone e Bruce Smith à bateria) já prometia recuperar para a pop a formação clássica do jazz moderno. Mas baptizados com o nome do álbum gravado em 65 por Rahsaan Roland Kirk, fizeram questão em sublinhar a coincidência. É, de certa forma, a continuação lógica dos Pop Group – como os Weekend o são para os Young Marble Giants ou os Style Council para os Jam – e aprofunda um interesse idealizado sobre a música das Caraíbas ou os ritmos das tribos africanas. Mas era Neneh Cherry – filha adoptiva de um não menos importante multi-instrumentista, Don Cherry – que personificava
o ansiado multiculturalismo. Entre o gosto pelo funk, uma gestão minimal de recursos rítmicos possivelmente retirada do embrionário hip hop, e um desbundante fascínio pela liberdade formal do free jazz educado em audições directas de Ornette Coleman, Gato Barbieri ou Pharoah Sanders ainda em criança, Neneh Cherry fez nos Rip Rig + Panic o que Chaka Khan fez nos Rufus. E também ela veio a ser uma estrela.
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