Cai mal falar em versões femininas de ícones masculinos, mas o que é certo é que, às primeiras palavras de Germ Free Adolescents, Poly
Styrene lembra logo Johnny Rotten. Isto para dizer que é uma injustiça que os X-Ray Spex não tenham recebido a mesma atenção. Se há modelo que as adolescentes de todo o mundo tinham beneficiado em conhecer era Styrene: baixinha, de cabelo curto, aparelho nos dentes e furiosa. Os Spex nasceram da amizade entre Poly e a colega Lora Logic, saxofonista, que, apesar de não ter ficado no grupo muito tempo, imprimiu a imagem de marca de um grupo punk não dependente em exclusivo das guitarras (neste álbum está Rudi Thomson no saxofone). Tal como as Slits, os X-Ray Spex apontam a sua raiva a uma sociedade de consumo que valoriza preferencialmente raparigas desde a infância educadas em dar uma muito pouco saudável atenção à aparência. No meio do ataque punk-rock de “Art–I–Ficial” fica descrito o mundo que o grupo pretende mudar: “I know I’m artificial, but don’t put the blame on me. I was reared with appliances in a consumer society”. Germ Free Adolescents não abranda do princípio ao fim. Mesmo nos (raros) temas que dão descanso à rapidez, a intensidade é sempre palpável. Tudo até ao apoteótico final de “The Day The World Turned Dayglow” (o único single a entrar no top 20 britânico). Os X-Ray Spex voltaram a reunir-se em 1995, altura um que gravaram o seu segundo álbum. Foi tarde e foi pouco. Styrene foi riot girl muito antes de se pensar nisso.
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