Quase dez anos depois do seu único êxito de vendas, já era altura dos Prefab Sprout serem recuperados. Mas se o new wave e o punk completaram o ciclo a tempo de se tornarem na única grande referência do rock moderno, o mesmo não se pode dizer de um estilo que quase radicalmente virou as costas à contemporaneidade. Talvez por isso não ande longe da verdade quem recorde que a maioria dos adolescentes de então já não gostava dos Prefab Sprout, e que muito menos encontrará hoje razões para os revisitar. É normal, porque se há coisa que não se encontra em From Langley Park To Memphis são as armadilhas obrigatórias para aliciar os sub-21. O álbum é antes uma portentosa e genuína revalidação dos valores da pop clássica, que desde a pequena vila no condado de Durham até à cidade de Elvis Presley passava obrigatoriamente pela Nova Iorque do Brill Building e pela Detroit da Motown. Com demasiada ironia (em “The King Of Rock’n’Roll”) e nostalgia (“Cars & Girls”) para a crítica de então (que se ficou por reconhecer a pretensão e sabedoria demonstradas três anos antes em Steve McQueen), tem em “Hey Manhattan!” arranjos de cordas a rivalizar com a altura dos arranha-céus, uma guitarra por cortesia de Pete Townshend, e até a alegria da sua descoberta serve para nova referência (“Strolling Fifth Avenue – just to think Sinatra’s been here too”). Em “Nightingales” é a harmónica de Stevie Wonder que tempera um pedido quintessencialmente adulto: “Tell me do something true and drop the fairytales”. Entretanto, os Erasure dominavam os tops com sintetizadores e uma dança à chuva nos telhados.
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