Com o disco de estreia, Axel Willner, conhecido nos dias que correm como The Field, conseguiu granjear mais do que mera atenção sob o seu trabalho. Com From Here We Go To Sublime, The Field ficou imediatamente no centro das atenções para quem se preocupa minimamente com o tecno. O estatuto conseguido deve muito à coexistência coerente de três elementos mais visíveis: construções ambientais bem desenhadas, batidas e vozes. Os dois últimos são geridos de forma minimalista mas o primeiro está por todo o lado – o que torna From Here We Go To Sublime um disco assaz imagético.
Willner vence no disco de estreia no tratamento que dá às texturas e nos ritmos que liberta, criando uma zona onde as noções de tempo e de espaço se diluem à força da repetição. O processo é bastante mais simples do que parece: a prova está logo em «Over The Ice», a abrir o disco, revelação de intenções que usa e abusa do processo acima descrito e estabelece o tom para o resto do álbum. Mas não se pense que o que se ouve é apenas aquilo que existe. A forma como termina «A Paw In My Face», em «fade-out» de hit radiofónico, dá a ideia que, por detrás dos temas de From Here… estará uma dose bastante justa e pensada de melodias e de recursos, de soluções. É fácil ver From Here… multiplicar-se maravilhosamente em pequenos mas eficientes argumentos, à medida que se desenvolve, evitando que o disco se esgote nas primeiras existências. As vozes que são opção em «Over The Ice» (com grande eficácia), voltam a sê-lo, por exemplo, noutras das âncoras do disco: «Good Things End», comunicação maquinal que se fecha em territórios sombrios para não voltar a sair deles com outro semblante.
Apesar de aparentar ser um disco maioritariamente constituído por tons frios, a estreia de The Field é, na verdade, bastante luminoso e libertador – é o caso de «Everday», onde Willner aplica outro recurso estilístico valioso: a gestão de tempos e tensões, explícita na forma como recua e avança de intensidade em cada tema. «Silent» contraria o título e manifesta-se como um dos temas mais optimistas e upbeat de um álbum que tem na coerência um dos seus mais fortes alicerces. «The Deal» segue-lhe o caminho.
As faixas encaixam umas nas outras como se tivesse sido obra de um arquitecto.
E não será Axel Willner um dos melhores tecno-arquitectos da actualidade?
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