Muito do pop-rock de meados dos anos 80 mais não foi do que uma versão mais regada daquilo
que, com os Teardrop Explodes, Julian Cope havia feito no alvorar da década. E Fried veio
sugerir a necessidade de tábula rasa para a música britânica. Do psicadelismo dos Pink Floyd de Syd Barrett ao romantismo solene de Scott Walker, da teatralidade de David Bowie ao colorido bucolismo de Donovan – tudo devidamente temperado pelas fantasias californianas de uns Doors sob a égide de Aldous Huxley. Mas há mais. A capa não é uma afirmação artística mas antes um documentário sobre o estado mental de Cope. Uma colecção de carros em miniatura tinha-lhe consumido muito tempo e gravou totalmente nu. O produtor Steve Lovell comprou a carapaça de tartaruga numa loja de segunda mão e Cope chegou a experimentá-la em estúdio – mas não ficou contente com o resultado final. Disse finalmente que acreditava que a sua nudez se ouvia. Fried era a alcunha com que a mulher o tratava – devido ao excessivo consumo de LSD. Mas dos muitos que se perderam para lá das portas da percepção nenhum como ele se reinventou como historiador da Europa megalítica, xamã e cronista do krautrock. E, do antropomórfico “Reynard The Fox”, em que se põe na pele
dos perseguidos, a um sacramental “Torpedo”, ou à antecipação de Blur, Inspiral Carpets ou
Stone Roses de “Sunspots”, Fried prova que estava longe de perder a cabeça. Ainda que o que
fique sejam as suas palavras em “Me Singing”: “My vacant stair which hangs above your vacant chair”.
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