Nunca se afastou muito do Texas natal e viveu a maior parte da vida na pobreza, sob o primordial feitiço do blues e country – ao ponto de com eles se confundir. Para conterrâneos, como Willie Nelson, Butch Hancock e Jimmie Dale Gilmore, não foi apenas o poeta do Estado mas sim o de uma geração. Numa das mais famosas citações a seu propósito, Steve Earle terá dito que estava disposto a subir à mesa de café de Bob Dylan, com botas de cowboy e tudo, e proclamar o texano como o maior escritor de canções do mundo. Pela mão de quem as gravou – Nelson, Merle Haggard, Emmylou Harris, Meat Puppets, Tindersticks, Norah Jones ou Azure Ray – ou pela realização de um documentário sobre si, em 2004, possui hoje uma reputação de que raramente gozou. For
The Sake Of The Song é o primeiro LP, e logo aí se revela a razão de ter sido um segredo partilhado com solenidade: é que há que ter pudor em ouvir a melancolia e desespero da miséria evocada em “Tecumseh Valley”, da toxicodependência em “Waitin’ Around To Die” ou do suicídio infantile em “Sixteen Summers, Fifteen Falls”. Além de que é melhor apreciado quando fazem sentido palavras como as de “I’ll Be There In The Morning”: “There’s no stronger wind than the one that blows down a lonesome railroad line; no prettier sight than looking back on a town you left behind”. Foi tudo demasiado solitário para um tempo de celebrações comunais.
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