Longe de ser tão premonitório, mas as frases de “Tô” (“Tô te explicando prá te confundir, tô te confundindo prá te esclarecer, tô iluminando prá
poder cegar, tô ficando cego prá poder guiar… Eu tô me despedindo prá poder voltar”) arriscavam o definitivo postulado sobre o papel de Tom Zé na MPB e suspendiam uma mensagem que levaria quase vinte anos a vingar. Não parecia, mas Estudando O Samba era gravado naquele período
que, mais tarde, Tom haveria de recordar como “ostracismo”. Mas em 75, longe da euforia festivaleira de finais dos anos 60 e distante do companheirismo do tropicalismo, encontrava na recorrente tristeza do samba (extensível à sua estilização na bossa de Jobim e Vinicius, em que
até a “Felicidade” “voa tão leve mas tem a vida breve”) um motivo para interrogar interesses essenciais na sua produção – nessa perspectiva,
é sintomática a sua visão do tema em “Vai”, quando canta “a felicidade vai desabar sobre os homens”. Claro que Tom nunca se deu bem com
géneros, e sugerir que este é um álbum de samba rock (o que o aproximaria de Jorge Ben) ou forrock (que o conduziria aos Novos Baianos),
de samba progressivo (alinhando-o com os Moto Perpétuo de Guilherme Arantes) ou rock baião (associando-o a Raul Seixas) falhará sempre o
alvo. E ainda que gravado com Elton Medeiros, há aqui tanto de samba quanto de tudo o resto – incluindo arranjos de José Briamonte que relembram o papel de Rogério Duprat em Tropicália. É o ponto nevrálgico da carreira de Tom Zé e o momento em que começa – secretamente – a colocar o sertão no centro do mundo.
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