Primeiro Red Hot Chili Peppers, Fugazi, Minutemen ou Rage Against The Machine. Depois Metro Area, !!!, Playgroup, Rádio 4, Rapture ou LCD Soundsystem. A herança dos Gang Of Four reclama-se a cada nova geração. O ritmo soluçado, a guitarra distorcida e uma voz mais falada que cantada, devidamente filtrados pelo funk mais belicoso, tornaram-se recursos estilísticos disponíveis para estetas interessados no mais turvo da História. Os Gang Of Four continuaram a ser uma banda de culto década de 80 adentro, e a sorte sorriu a qualquer adolescente que ambicionasse um futuro na música e tivesse conseguido pôr as mãos numa cópia do seu primeiro LP. Porque, como a reunião de 2005 provou, o tempo tratou de com ele se alinhar. A receita é hoje conhecida: quatro estudantes universitários, líderes comunistas purgados do partido após a morte de Mao e com um fraquinho por Marx, teóricos do estruturalismo francês em viagem de estudo à Nova Iorque dos Television e Ramones. Pelo meio, se Mark E. Smith e os Fall eram a palavra de ordem na parede, os Gang Of Four tornaram-se no doutoramento do punk: as letras são quase uma tese sociológica completa. “The worst thing in 1954 was the Bikini; see the girl on TV dressed in a Bikini; she doesn’t think so but she’s dressed for the H-Bomb”, ouvia-se em “Found That Essence Rare”, enquanto em “5.45” criticava-se a apatia da classe média e a sensensibilidade dos media com “How can I sit and eat my tea, with all that blood flowing from the television. Guerrilla war struggle is a new entertainment”. É a resposta do punk ao Risqué dos Chic.
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