Cresceu a ouvir jazz (o pai era trompetista), música clássica e ópera; foi estudar para o nova-iorquino High School Of Music And Art – a inspiração para Fame; aos 14 anos cantava pelas ruas e ouvia doo-wop e o folk de Baez e Dylan. O primeiro álbum gravou-
-o ao piano, aos 19, só com originais – tal como aqui. Não foi um grande sucesso, mas também não passou despercebido. Especialmente aos colegas – Barbra Streisand, Blood Sweat & Tears e, fundamentalmente, uns 5th Dimension a anunciar a Era do Aquário – que tiveram êxitos com versões de temas nele revelados. Nyro tornou-se de súbito um talento representativo do seu tempo. Foi contratada para o Monterey Pop de 67,mas a actuação correu-lhe mal. David Geffen estava à espera para a consolar e convencer de que seria um agente perfeito. Cumpriu a promessa e o segundo album sai na Columbia. Retrospectivamente, a combinação de jazz e r&b com um impulso de singer-songwriter, comum a Carole King ou Carly Simon, parece profundamente inventiva e conseguida. E a sua voz mantém-se com especial calor. O album é a conceptual viagem da menina até à transformação em mulher – e mostra que Nyro já tinha passado a borboleta quando tantos estavam ainda nos casulos. Tem a coerência do melhor de Aretha Franklin e o mesmo cristalino arrojo melódico dos álbuns que Dionne Warwick gravava com as canções de Bacharach/David. E como tantas afirmações femininas na música popular, só ao fim de muito tempo ganhou a importância que lhe é devida.
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