Duane era o génio da guitarra, treinado por incontáveis sessões nos estúdios Muscle Shoals em que participou nas gravações de Aretha Franklin, Wilson Pickett ou Percy Sledge. O grupo era a sério aquilo que os CCR ou The Band aparentavam – puro southern rock, a preparar terreno para os Lynyrd Skynyrd. Entre o psicadelismo e o progressivo, quase duas décadas de supremacia editorial do LP haviam registado aquilo que, antes, só em concerto acontecia no rock: um “In-A-Gadda-Da-Vida” dos Iron Butterfly a rondar os 17 minutos, os 11 do “The End” dos Doors ou os 17 de “Sister Ray” dos Velvet Underground, dos mais de 15 do “Voodo Chile” de Hendrix aos 25 de “Dark Star” dos Grateful Dead. E, talvez a par dos Canned Heat ou Cream, os Allman Brothers foram igualmente das poucas bandas baseadas no blues a permitir a expansão formal dos seus temas. Mas Eat A Peach é um disco agridoce – depois do sucesso com Fillmore East, Duane Allman morre num acidente de mota. “Ain’t Wastin’ Time No More” não esconde até que ponto isso afectou os sobreviventes. Gregg canta “Melissa” ou “One Way Out” com a escola soul. E o duplo álbum torna-se numa homenagem testamental, resgatando temas consigo: dos livres 33 minutos de “Mountain Jam” à despedida com “Little Martha”, em que está já só, à guitarra acústica.
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