A sua vida parece ficção: cresceu nómada, filho de um casal que actuava numa feira itinerante. E enquanto o resto dos jovens sonhava fugir para se juntar ao circo, queria o oposto: juntou-se ao exército. Não durou muito e retomou a estrada de guitarra às
costas. Em Nova Iorque cruzou-se com Fred Neil e Dylan. Na Califórnia, ganhou simpatia da mafia e adoptou nome italiano (o de nascimento era o menos romântico mas sugestivamente pornográfico Chester Powers), viveu com David Crosby e algum tempo depois juntava-se (ou formava, segundo ele) aos Quicksilver Messenger Service. Teve a carreira interrompida ao cumprir pena de
prisão por posse de marijuana. Em 68 sai o seu álbum a solo (com o seu nome, por engano, impresso “Valente”). Como qualquer cantor de guitarra em punho e caracóis castanhos, é apelidado de novo Dylan, no caso “an underground Bob Dylan” – e até teve o mesmo produtor, Bob Johnston. Mas Dino Valenti não evoca grande coisa do trovador: a sua voz é forte, clara, ancorada em mil e uma estradas de terra batida no interior do país, na sordidez e solidão da vida errante, na desconfiança de quem acredita em cada um por si. E de certa forma, isso é tão constante quanto a esperança no amanhã.
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