Materializou-se em meados dos anos 60, entre as ruas Bleeker e MacDougal de Nova Iorque, no meio do movimento folk de Dylan, Baez ou Peter, Paul & Mary, e desapareceu de cena na década seguinte. Ao que parece, nasceu na Florida e há quem jure que foi uma espécie de Mozart do country ou o filho bastardo de Jimmie Rodgers. O que é certo é que ninguém na audiência dos cafés de Greenwich Village duvidou que viesse a ser uma estrela – ainda que fosse pela voz de Harry Nilsson ou Tim Buckley que as suas canções chegassem ao grande público. Bleeker & MacDougal é um dos testemunhos mais persuasivos do espírito revivalista da época, que culminou num virar de costas às produções dos Beatles, Beach Boys ou Phil Spector rumo às raízes do blues e baladas country. Este LP de Neil – após um álbum gravado com Vince Martin – não é ainda totalmente acústico, mas a ideia está lá: uma reverência pela música como algo mais que mero entretenimento; como história viva e repositório de um discurso político e filosófico. A sua voz começa a revelar-se nos primeiros temas, mas é em “Little Bit Of Rain” que mostra um pouco mais da sua natureza surpreendentemente adulta e segura de si, grave e ancorada numa história que, sendo recente, já tinha revolucionado a música popular uma ou duas vezes, explorando um vasto território que permite a vagabundagem de quem dela precisa como de ar. Neil acabou por fugir ao estrelato após mais uma obra-prima em 67 – não percebia o conceito.
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