O single “You Really Got Me” foi o bilhete de entrada do quarteto no mercado norte-americano e parecia que o caminho do sucesso estava assegurado. No entanto, em 65, o poderoso sindicato American Federation of Musicians decretou que nos quatro anos que se seguissem à digressão em curso, os Kinks não poderiam voltar aos EUA. Numa decisão sem precedentes, o grupo ficou votado ao ostracismo e afastado da revolução cultural hippie que, em 69, culminaria nos concertos de Altamont e Woodstock. Mas a banda de Ray Davies não desanimou – pelo contrário, utilizou o forçado exílio na terra natal (um dos paradoxos do seu tempo) como um desafio. Olhar para o sítio em que se cresceu com os olhos de um estranho é proeza que poucos conseguem, mas os Kinks, com The Kinks Are The Village Green Preservation Society e este conceptual Arthur…, não só o fizeram com inexcedível aprumo como deixaram a planta para muito do Britpop de finais de 80 e 90. Arthur… é quase uma versão de pesadelo da Commonwealth e, regressando nostalgicamente ao rock’n’roll de início da década, mergulha nos medos e esperanças próprios da classe média britânica. Enquanto os colegas eram obrigados a reinventar-se constantemente para acompanhar a procura e concorrência do mercado americano, os Kinks criaram o seu próprio revivalismo e apreciaram a liberdade de beber um chá com o vigário da aldeia. E isso, naturalmente, veio novamente a conquistar a América.
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