Quer a Suécia quer o Festival da Eurovisão têm um historial negro no que diz respeito às suas contribuições para a música, mas tomara a muitos países que por cada Ace Of Base ou Roxette tenha havido uns ABBA. No top 10 de artistas mais vendidos a nível mundial, o quarteto sueco revolucionou a pop e tornou obsoletos os grupos que não conseguiam produzir mais do que um single de sucesso por LP. Uma espécie de
Beatles em casais, Benny Andersson e Björn Ulvaeus davam conta da composição em casa, enquanto as esposas Ana Frida e Agnetha seduziam a audiência europeia e americana com as suas harmonias vocais, olhares magnéticos e passos de dança. Para quem, mais tarde, quis reduzir os Abba ao equivalente artístico da forma e funcionalidade de fácil montagem do IKEA, convirá lembrar que a mistura de pop e disco
sound, o recurso às melodias mais resplandecentes dos anos 60 ou o emprego de sintetizadores em matéria para as tabelas de vendas não
eram propriamente banais em 76. E se bem que os Bee Gees andassem pelos mesmos caminhos, estávamos a uns meses do Saturday Night Fever. Para ver os ABBA à luz correcta, é preciso lembrar que o folk-rock estava a dar as últimas, que os Pink Floyd pareciam ser o futuro e que escondido à esquina estava o punk. Neste contexto, os ABBA não são outra coisa que inovadores como Bob Dylan ou Velvet Underground – são apenas de outra estirpe. Em vez de acabarem dependentes de substâncias alucinatórias, terminaram no divórcio – mas, afinal de contas, são suecos.
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