Trinta anos depois, Aja soa ainda ao álbum de jazz que Stevie Wonder nunca gravou com os irmãos Mizell. E o que seria da carreira do cantor da Motown se fosse este o caminho traçado após Songs In The Key Of Life? Provavelmente seria crucificado mais cedo. Por maior impacto comercial que tenha qualquer coisa associada à palavra fusão, o primeiro reflexo da crítica é fugir-lhe a sete pés. Mas há excepções. Nomeadamente quando uma cristalina visão do mundo se sobrepõe aos recursos estéticos do seu tempo. E ainda que o melhor dos Steely Dan soe tanto à materialização do espírito colectivo dos Return To Forever quanto ao que Stanley Clarke fazia a solo, chegue a ilações rítmicas comuns aos Chicago iniciais e aos Ohio Players de 75, e surja com o mesmo tipo de interesse estrutural no jazz-rock do Frank Zappa de Hot Rats para logo explorar o protodisco sound, o que é certo é que Aja permanece como a grande pausa para respirar numa era à beira de sufocar qualquer artifício no mundo do rock. Quando Donald Fagen e Walter Becker se conheceram, as suas aspirações eram mais Brill Building do que Madison Square Garden. Refugiando-se em estúdio, como cientistas num laboratório, em quatro ensaios estavam lá. É aqui que se deixam de esconder num calculado cinismo, abraçando uma ideia de soul branca alicerçada em meia dúzia de cantores (entre os quais um imaculado Michael McDonald) e, como a Joni Mitchell de Hissing Of Summer Lawns, na mestria instrumental de Joe Sample, Tom Scott,
Wayne Shorter, Larry Carlton, Bernard Purdie, Lee Ritenour ou Victor Feldman.
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