Cresceu a idolatrar guitarristas de blues, como John Lee Hooker e B.B.
King, mas os ventos psicadélicos que sopravam na Califórnia não lhe passavam ao lado. Mudando-se para São Francisco, forma uma banda e distingue-se pela desinibida combinação de blues, rock, jazz e salsa. Um LP depois e os Santana transformar-se-iam numa das sensações
de Woodstock, tocando antes dos Grateful Dead ou Sly Stone. Eram daqueles raros casos em que o mais permeável dos híbridos ganhava
dimensão lapidar – em que tudo o que o precedia parecia inevitavelmente contribuir para a sua criação. Abraxas veio comprová-lo com um nível de sucesso que ninguém previa. Entre “Oye Como Va” e “Black Magic Woman/Gypsy Queen” – que era um programa em si mesmo, combinando Fleetwood Mac com o Gabor Szabo de Spellbinder –, estava criada uma fórmula que, ao contrário do que tantos pensam, Carlos Santana não conduziu imediatamente à exaustão. Pelo contrário, o orientalismo de Caravanserai, a colaboração com John McLaughlin em Love Devotion Surrender, a reunião com Alice Coltrane em Illuminations ou o encontro com Airto Moreira, Flora Purim e Stanley Clarke (vindos dos Return To Forever) em Borboletta, demonstraram que havia ainda muito caminho a desbravar. Num ambiente de latina sensualidade, “Samba Pa Ti” ganhou dimensões de sonho romântico. O resto era um guitarrista quase tão grande como Hendrix a trabalhar.
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